cover
Tocando Agora:

'Dominguinho 2' reproduz a doçura e a fórmula do álbum original, mas com dose bem menor de espontaneidade

Jota.Pê (à esquerda), João Gomes (ao centro) e Mestrinho lançam hoje, 7 de maio, o álbum 'Dominguinho vol. 2', gravado em Salvador Divulgação ♫ CRÍTIC...

'Dominguinho 2' reproduz a doçura e a fórmula do álbum original, mas com dose bem menor de espontaneidade
'Dominguinho 2' reproduz a doçura e a fórmula do álbum original, mas com dose bem menor de espontaneidade (Foto: Reprodução)

Jota.Pê (à esquerda), João Gomes (ao centro) e Mestrinho lançam hoje, 7 de maio, o álbum 'Dominguinho vol. 2', gravado em Salvador Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Dominguinho vol. 2 Artistas: Jota.Pê, João Gomes e Mestrinho Cotação: ★ ★ ★ ♬ No mundo a partir de hoje, 7 de maio, o segundo volume do álbum “Dominguinho” é imposição mercadológica diante do sucesso retumbante do álbum original de 2025. Ao ser lançada em abril do ano passado, a gravação do show acústico feito por João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho no Centro Histórico de Olinda (PE), sem plateia, gerou turnê que arrastou multidões pelo Brasil para ver o show do trio. Uma sequência então soa natural do ponto de vista empresarial. Com 12 músicas, o álbum “Dominguinho vol. 2” repete a fórmula do antecessor no registro ao vivo audiovisual feito em 11 de março deste ano de 2026 em apresentação do trio no Centro Histórico de Salvador (BA), na Bahia. A doçura do canto do trio – evidenciada sobretudo no mel da voz grave de João Gomes, motor do projeto que catapultou Jota.Pê e Mestrinho a outro patamar no mercado da música – está reproduzida em músicas como a inédita “Deusa minha” (Jadson Araújo, Kaique Carneiro, Keu Dantas, Kinho Compositor, Mateus Vulcani, Ruan Tavarez e Samuel Vulcani, 2026). Tal doçura é aditivada pelo toque afetuoso da sanfona de Mestrinho. Contudo, parece haver dose bem menor de espontaneidade no registro desse repertório que gravita em torno do universo da música nordestina rotulada genericamente como forró. Até porque, dessa vez, o trio já sabe que o segundo álbum é efeito causado pelo primeiro. Dentro do universo nordestino, João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho repõem em cena músicas como o apaixonado xote “Ligação estranha” (Dorgival Dantas, 2017) e recorrem a um eficaz medley para conectar o xote “Meu cenário” (Petrúcio Amorim, 2003) – sucesso do cantor Flávio José no circuito nordestino – com outro xote, “Numa sala de reboco” (Luiz Gonzaga e Zé Marcolino, 1965), standard do cancioneiro de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), referencial cantor pernambucano imortalizado como o Rei do baião e evocado pela voz grave e pelo chapéu de vaqueiro de João Gomes. Pautado por regravações de músicas como “Verão sem calor” (Jadson Araújo, 2022), tema no qual o trio persegue a melancolia entranhada na letra escrita com lirismo popular, o repertório de “Dominguinho vol. 2” também joga para a galera com (estranha) recriação do funk melody “Se ela dança, eu danço” (2006), sucesso autoral de MC Leozinho há 20 anos. É que “Dominguinho”, o show, costuma evoluir para um baile na segunda metade, com o trio se apropriando de hits alheios. Como o repertório inédito por vezes resulta com moderado poder de sedução, caso de “Dois mundos” (Mestrinho, 2006), recorrer a um sucesso alheio, como “As quatro estações” (Sandy, Álvaro Socci e Claudio Matta, 1999), megahit da dupla Sandy & Junior reaviado pelo trio na cadência do xote, é tática certeira. “As quatro estações” deverá funcionar bem no show com o calor da plateia. No álbum, o clima é outonal. Só que “Dominguinho vol. 2” é, em essência, álbum feito para gerar mais apresentações do trio pelo Brasil. Afinal, o projeto agregou prestígio a João Gomes e elevou a popularidade de Jota.Pê e Mestrinho, tendo fôlego para continuar em cena por mais tempo. Capa do álbum 'Dominguinho 2', de João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho Divulgação